É o bicho!

Afeto pelo cão deve respeitar as necessidades da espécie. Impor limites e evitar a superproteção impede o estresse e a dependência

Daniel Lima

05/10/2026 02:00

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Não é raro encontrar tutores que mimam seus bichinhos “até não poder mais”. Há quem coloque roupinhas fofas, deixe-os no colo o tempo todo e até façam tudo pelos pequenos. Embora pareçam atitudes amorosas, esses comportamentos com os cães podem gerar, no futuro e se feitos repetidamente, estresse e dependência emocional. Quem afirma é a psicoterapeuta Renata Roma; Segundo ela, amar os pets é permitir que eles expressem sua natureza animal. Para garantir o bem-estar do pet, especialistas reforçam a necessidade de respeitar os limites e estabelecer uma convivência equilibrada.
Entenda
- Tratar o pet como filho é uma demonstração legítima de carinho, no entanto, é essencial respeitar as necessidades naturais do animal.
- Evitar qualquer frustração e manter o cão constantemente no colo gera incapacidade de lidar com a ausência do tutor.
- Cães que só conseguem relaxar “grudados” na família apresentam insegurança e dependência emocional.
- Usar roupas desconfortáveis e forçar situações estressantes colocam a vontade do dono acima do bem-estar e da saúde do bicho.
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Evitar qualquer frustração e manter o pet sempre no colo impede que o cão desenvolva autonomia
Excesso de afeto pode virar superproteção perigosa
Chamar o cão de filho ou comemorar o aniversário do pet, por exemplo, representa uma proximidade emocional legítima que não invalida os cuidados básicos. O problema surge quando o tutor tenta acabar com qualquer frustração ou desconforto do animal, acreditando que está apenas demonstrando carinho na rotina.
O especialista em comportamento animal Cleber Santos alerta que:
“Quando o tutor interpreta qualquer desconforto como sofrimento, evita frustração a todo custo e ainda mantém o cão constantemente no colo ou ao seu lado, pode acabar ensinando esse animal que não é capaz de lidar com a ausência.”
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Dificuldade para relaxar ou ficar sozinho pode indicar insegurança e impactos negativos ao bem-estar do animal
Dependência emocional compromete a rotina e o afeto
Ter uma ligação forte com o animal de estimação não exige a presença constante do tutor ao lado do cão em todos os momentos do dia. Quando o pet não consegue permanecer no seu próprio espaço sozinho e sem demonstrar sofrimento, a relação deixa de ser saudável e passa a representar um problema.
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Cleber Santos, fundador da Comport Pet, reforça que “se o cão só consegue relaxar quando está grudado no tutor, isso não é necessariamente um vínculo saudável, pode ser dependência emocional.”
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Respeitar os limites do pet e priorizar o conforto do bicho evita estresse com mimos e roupas
Equilíbrio e afeto exigem respeitar a natureza do cão
Forçar fotos com acessórios, usar roupas incômodas e impor festas sem considerar os sinais de estresse do pet colocam a vontade do tutor acima do bem-estar do animal. Dividir a cama e adaptar a casa são hábitos comuns, mas o limite deve ser o conforto do cão no dia a dia.
Respeitar as características da espécie é importante para manter uma convivência saudável e equilibrada dentro de casa. Ao avaliar a relação com o pet, se pergunte: Eu estou respeitando as necessidades do meu pet? Estou projetando nele necessidades minhas? Estou permitindo que ele seja simplesmente um animal?
Se a resposta for não, é hora de colocar limites em si mesmo. Carinho é bom, no entanto, como tudo na vida, é preciso equilíbrio e moderação.
