Casos que envolvem crianças receberão prioridade no tratamento, audiência e decisão, conforme novas instruções emitidas pelo Presidente do Supremo Tribunal, como parte de medidas mais amplas destinadas a tornar os procedimentos judiciais mais adequados às crianças. As instruções, assinadas pela Presidente do Supremo Tribunal, Domitilla Mukantaganzwa, e publicadas no Diário Oficial em 1º de outubro, entrarão em vigor em 1º de novembro. Na medida do possível, os tribunais serão obrigados a reservar dias específicos para casos envolvendo crianças e a designar juízes especializados para tratá-los. As medidas aplicam-se a qualquer pessoa com menos de 18 anos envolvida em processos criminais, de proteção à criança e de direito de família. TAMBÉM LEIA: Detenção de crianças será usada como 'última opção' na nova política Relato detalhado exigido antes do registro Sob as novas regras, os promotores devem apresentar um relatório detalhado sobre a criança antes que o tribunal possa registrar um caso envolvendo-a. O relatório fará parte dos autos do processo e a falta de sua apresentação 'impede o registro do caso no tribunal', conforme estabelecido nas instruções. A exigência aplica-se tanto quando a criança é acusada quanto quando é vítima. O relatório deve detalhar o contexto familiar e histórico da criança, saúde, educação, criação e ambiente doméstico, bem como os resultados de quaisquer exames médicos ou psicológicos. Ele também deve incluir recomendações sobre reabilitação ou reintegração social. Os tribunais utilizarão essas informações ao considerar medidas alternativas ou outras medidas protetivas. TAMBÉM LEIA: Justiça: casos envolvendo menores dobraram nos últimos quatro anos – associação de advogados Reunião pré-processual antes da audiência Antes que um caso envolvendo uma criança seja agendado para audiência, o cartório do tribunal deve realizar uma reunião pré-processual utilizando quaisquer meios disponíveis, incluindo tecnologia. A reunião será utilizada para verificar se o processo é completo e se a criança está pronta para a audiência. Não haverá vestimenta profissional: Juízes, promotores e advogados que lidam com casos envolvendo crianças não usarão vestimenta profissional. Eles também devem comunicar-se em linguagem compreensível pela criança e explicar todos os aspectos do processo. Oficiais uniformizados não serão permitidos nos tribunais, a menos que sua presença seja necessária por motivos de segurança. TAMBÉM LEIA: Justiça juvenil fala alto e claro pelos direitos das crianças Áreas separadas de transporte e espera Uma criança detida acusada de quebrar a lei deve ser mantida separadamente dos adultos e transportada para o tribunal separadamente. Crianças convocadas para o tribunal também devem esperar em um local seguro, longe dos adultos, antes e depois da audiência. Elas devem ser acompanhadas por um adulto de confiança e, quando apropriado, por um advogado. Proteção da identidade A identidade de uma criança que está sendo processada, é vítima ou aparece como testemunha não deve ser divulgada ao público ou à mídia. Pessoas autorizadas a comparecer às audiências também são proibidas de divulgar informações sobre o caso. Reabilitação em vez de punição As instruções também orientam os tribunais a priorizar a reabilitação em vez da punição. Na medida do possível, os tribunais devem incentivar acordos de culpabilidade ou resolução amigável entre a criança e a vítima, salvo disposição legal em contrário. Os juízes também são obrigados a levar em conta as circunstâncias individuais da criança e refleti-las em suas decisões. As novas medidas visam garantir que os casos envolvendo crianças sejam tratados de forma mais rápida, ao mesmo tempo em que oferecem proteção adicional durante todo o processo judicial.




