Partido elegeu 121 deputados e terá 28 senadores a partir de 2027; tamanho da bancada dá à legenda maior poder

7 out 2026 - 04h57

Compartilhar

- Por: Marcela Ferreira

Os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) após o primeiro turno

Foto: Wilton Junior/Estadão e Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

O resultado do primeiro turno das eleições, no último domingo, 4, redesenhou a composição do Congresso Nacional e colocou o Partido Liberal (PL) como a maior força partidária nas duas Casas. O partido elegeu 121 deputados federais e, a partir de 2027, deverá ter 28 senadores, formando a maior bancada do Senado.

Como justificar a ausência na votação? Voto nulo cancela a eleição? Tire essas e outras dúvidas no Terra Responde

- Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra

O crescimento do PL terá impacto direto na dinâmica do próximo governo, que será definido no segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro, entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O tamanho das bancadas influencia a composição das comissões, a escolha de cargos no Legislativo e as negociações para a aprovação de projetos.

A nova configuração, porém, não significa que o PL terá sozinho votos suficientes para aprovar todas as suas propostas. Tanto um eventual governo Flávio quanto um eventual governo Lula precisarão negociar com outras legendas para formar maiorias em votações que exigem quóruns específicos.

PL amplia espaço no Congresso

Na Câmara, o PL terá 121 deputados na próxima legislatura, que começa em fevereiro de 2027. O número representa 24 cadeiras a mais do que as 97 conquistadas pela legenda em 2022. A federação formada por PT, PCdoB e PV será a segunda maior força, com 88 deputados, sendo 70 do PT.

Como fica a bancada da Câmara dos Deputados para 2027:

Bancada da Câmara dos Deputados para 2027

Foto: Arte/Terra

Como ficou a bancada da Câmara dos Deputados depois da eleição de 2022:

Bancada da Câmara dos Deputados em 2023

Foto: Arte/Terra

No Senado, o crescimento é ainda mais expressivo. O PL elegeu 19 senadores neste domingo e, somados aos nove que já têm mandato, deverá chegar a 28 integrantes em 2027. O número fará da legenda a maior bancada da Casa e, segundo levantamento da Câmara, será a maior bancada partidária no início de uma legislatura desde a promulgação da Constituição de 1988.

Como fica o Senado a partir de 2027:

Bancada do Senado eleita para 2027

Foto: Arte/Terra

Como ficou o Senado depois da eleição de 2022:

Bancada do Senado eleita em 2023

Foto: Arte/Terra

A distribuição das forças terá reflexos na formação das comissões e na escolha dos presidentes dos colegiados. No Senado, por exemplo, a participação dos partidos e blocos nas comissões segue, tanto quanto possível, o princípio da proporcionalidade. Na prática, bancadas maiores têm mais espaço na composição dos colegiados e maior capacidade de negociação.

O que muda para Flávio
O candidato Flávio Bolsonaro
Foto: Reprodução/Instagram
Caso Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial, o próximo governo terá no Congresso uma bancada do próprio partido maior do que a atual. O cenário pode facilitar a construção de uma base de apoio para pautas alinhadas ao programa do PL, embora ainda seja necessário negociar com outras siglas para alcançar os quóruns exigidos em determinadas votações.
Pelas contas apresentadas pelo próprio PL, cerca de 283 dos 513 deputados estariam alinhados às pautas defendidas pelo partido. Esse número, no entanto, reúne parlamentares de diferentes legendas e não significa necessariamente que todos integrarão formalmente a base de um eventual governo Flávio.
A força do PL também deverá pesar na disputa pelos comandos da Câmara e do Senado e pela presidência de comissões estratégicas. A legenda já manifesta interesse em ocupar espaços de comando nas duas Casas.
E se Lula for reeleito?
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Se Lula vencer o segundo turno, o cenário para o governo federal será diferente. O presidente petista começaria um novo mandato diante de um Congresso no qual o PL terá a maior bancada nas duas Casas.
Na Câmara, o PT terá 70 deputados, dentro da federação PT-PCdoB-PV, que somará 88 cadeiras. No Senado, o partido terá nove representantes.
Nesse cenário, o governo Lula precisaria ampliar a articulação com partidos de centro e de outras correntes políticas para formar maioria e evitar que comissões estratégicas fiquem concentradas nas mãos da oposição.
A governabilidade depende justamente dessa capacidade de formar maiorias. Ter a maior bancada não significa controlar sozinho o Congresso, mas aumenta o poder de negociação de um partido na definição dos espaços de comando e na tramitação das propostas.
Comissões terão papel estratégico
Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional do dia 21 de maior
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado / Estadão
Além das votações no plenário, uma parte importante da disputa política ocorrerá dentro das comissões. Esses colegiados analisam projetos, realizam audiências e, em determinadas situações, podem aprovar matérias sem que elas precisem passar imediatamente pelo plenário.
Entre os espaços considerados estratégicos estão as Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e do Senado, a Comissão Mista de Orçamento (CMO), a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e os colegiados ligados à saúde e à segurança pública.
No Senado, a distribuição das vagas nas comissões leva em conta o tamanho das bancadas e dos blocos parlamentares. A CMO também segue o critério de proporcionalidade partidária.
Outro ponto de interesse são as emendas de comissão. No Orçamento de 2026, foram aprovados R$ 12,1 bilhões nessa modalidade: R$ 8 bilhões destinados a colegiados da Câmara e R$ 4 bilhões aos do Senado.
As emendas de comissão não são impositivas e, portanto, dependem de negociação com o governo federal para serem executadas. Isso dá às lideranças do Congresso mais um instrumento de negociação com o Executivo.
Fonte: Portal Terra
Compartilhar
TAGS
Política Senado Flávio Bolsonaro Lula Câmara dos Deputados Eleições Notícias

