Cânion do Rio Peruaçu é um cânion brasileiro situado no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, ao norte do estado de Minas Gerais. Esta formação geográfica é considerada Patrimônio Mundial pela Unesco desde 13 de Julho de 2025.

Características O Cânion do Peruaçu possui 38.003 hectares de extensão e fica a 670 quilômetros de Belo Horizonte. Nele, se encontram 3 biomas: Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado. O local também apresenta mais de mil espécies de flora e 950 espécies de fauna identificadas e 114 sítios arqueológicos com pinturas rupestres em excelentes estados de conservação.

Parque Nacional Cavernas do Peruaçu O parque, que se encontra no município de Januária, possui diversas atrações como a Gruta do Janelão, com galerias com mais de 100 metros de altura e 60 metros de largura, e a Perna da Bailarina, a maior estalactite do mundo com cerca de 28 metros de comprimento.

Geologia e formação O Cânion do Peruaçu desenvolveu-se em rochas carbonáticas — sobretudo calcários — do Grupo Bambuí, unidade geológica do Neoproterozoico depositada em ambiente marinho. A dissolução desse maciço rochoso pela água deu origem a numerosas cavernas, algumas de dimensões monumentais e ricas em espeleotemas; o colapso sucessivo do teto de parte dessas cavernas formou, ao longo do tempo, o vale encaixado que constitui o cânion. As paredes das cavernas e do cânion preservam registros das condições ambientais de períodos remotos da história da Terra, o que faz do conjunto um vale cárstico considerado superlativo. O conjunto é apontado como um dos mais expressivos relevos cársticos do país, esculpido pela ação da água sobre os calcários ao longo de milhões de anos.

Reconhecimento pela UNESCO Em 13 de julho de 2025, o Cânion do rio Peruaçu foi inscrito na lista do Patrimônio Mundial da Unesco como patrimônio natural. O reconhecimento baseou-se exclusivamente em atributos ligados à geodiversidade, expressos nos critérios naturais da convenção do patrimônio mundial. A candidatura ressaltou a excepcional beleza natural e a relevância geológica e geomorfológica única do cânion, que se tornou o primeiro bem do estado de Minas Gerais reconhecido como patrimônio mundial natural. A inscrição resultou de um processo de candidatura conduzido pelo poder público brasileiro junto à organização. Com a inscrição, o sítio passou a integrar o conjunto de bens brasileiros na lista, que então reunia 25 inscrições do país, das quais a maioria reconhecida por atributos culturais e as demais por valores naturais. A distinção valoriza a importância científica e paisagística do vale cárstico e reforça a necessidade de instrumentos para a sua conservação e gestão sustentável. O reconhecimento também chamou a atenção para a importância de dotar os órgãos gestores de recursos e de especialistas voltados à geoconservação do patrimônio geológico.

Arqueologia O cânion abriga 114 sítios arqueológicos que registram ocupações humanas de cerca de 12 mil anos, evidenciadas por pinturas rupestres excepcionalmente preservadas. Esse acervo, somado à diversidade de ecossistemas — que reúne elementos da Mata Atlântica, do Cerrado e da Caatinga — e às formações cavernícolas, integra o valor cultural e natural associado à região do Peruaçu. Os registros rupestres do cânion figuram entre os mais bem conservados do gênero no país.

Referências

Bibliografia Pereira, Ricardo; Nascimento, Marcos Antonio (2025). Cânion do rio Peruaçu na lista da UNESCO: um marco para a Geodiversidade brasileira

Ver também Parque Nacional Cavernas do Peruaçu