Declaração da equipe de Flávio sobre o Bolsa Família gerou reação do PT, enquanto governo antecipou pagamentos antes do segundo turno

19 out 2026 - 18h17

(atualizado às 18h18)

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- Por: Isabella Lima

Flávio Bolsonaro e Daniella Marques

Foto: @flaviobolsonaro via Youtube/Reprodução / Estadão

O Bolsa Família concentrou parte importante da discussão política nesta segunda-feira, 19, no dia seguinte ao debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Uma declaração de Daniella Marques, coordenadora do plano econômico da campanha do senador, sobre a criação de uma regra de transição para beneficiários que consigam emprego ou abram um negócio provocou repercussão nas redes sociais e levou o candidato a divulgar um vídeo para negar que pretenda acabar com o programa.

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No mesmo dia, o governo Lula anunciou a antecipação do calendário de pagamentos de outubro, com depósitos previstos até quarta-feira, 21, antes do segundo turno das eleições, marcado para domingo, 25. A medida também prevê a antecipação dos pagamentos de novembro e dezembro.

Coordenadora econômica de Flávio fala em transição de dois anos

Em entrevista à rádio CBN Salvador, na Bahia, Daniella Marques afirmou que Flávio pretende implementar uma regra de transição de dois anos para pessoas que recebem o Bolsa Família e conseguem um emprego com carteira assinada ou abrem o próprio negócio.

"Vai ter uma regra de transição, como teve na época do presidente Bolsonaro, de dois anos, para que possa abrir o seu negócio ou aceitar um emprego de carteira assinada", afirmou a ex-presidente da Caixa Econômica Federal.

A coordenadora também mencionou a possibilidade de retorno automático ao programa, mas não explicou como o mecanismo funcionaria. Ela tampouco esclareceu se os beneficiários continuariam recebendo o valor integral do auxílio durante o período de transição. "As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada", declarou.

A fala repercutiu ao longo do dia porque a proposta indica uma possível mudança na forma como o benefício seria mantido para quem passa a ter outra fonte de renda. Atualmente, o acesso ao Bolsa Família está condicionado à renda familiar, e não à existência de um vínculo formal de trabalho ou à abertura de um microempreendimento individual (MEI).

Para receber o benefício, a renda mensal por pessoa da família não pode ultrapassar R$ 218. Também é necessário estar inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) e cumprir exigências como manter crianças na escola e com a vacinação em dia.

O programa já conta com uma regra de transição para famílias que têm aumento de renda após conseguir emprego. Quando a renda por integrante chega a até R$ 706, a família pode continuar recebendo 50% do valor do benefício por até 18 meses.

PT critica declaração, e Flávio reage nas redes sociais
A declaração de Daniella foi explorada por aliados de Lula, que acusaram o adversário de pretender promover cortes em uma das principais políticas sociais do governo federal. A fala circulou em grupos de apoio ao petista e nas redes sociais, enquanto governistas resgataram publicações antigas em que Flávio criticava o benefício, ao qual se referia de forma pejorativa como “bolsa-farelo”.
O próprio presidente compartilhou uma publicação do PT com críticas à declaração da coordenadora econômica. Diante da repercussão, a campanha do senador iniciou uma mobilização para conter o desgaste, e Flávio publicou um vídeo em que acusou Lula de disseminar informações falsas sobre sua proposta.
"O futuro ex-presidente, o Lula, está espalhando uma fake news daquela cabeluda e eu peço que você compartilhe esse vídeo urgentemente para a gente combater essa mentira dele. E qual que é a mentira que ele está contando? Ele está dizendo por aí que eu acabaria com o Bolsa Família em até dois anos. É óbvio que isso não vai acontecer, é óbvio que isso é mentira", afirmou Flávio.
Na gravação, o senador sustentou que a intenção é permitir que os beneficiários continuem recebendo o auxílio de forma temporária após conseguirem emprego formal ou abrirem uma empresa. "O que estou fazendo de proposta que é muito melhor do que isso. É para incentivar você, caso você queira, quando você arrumar um emprego de carteira assinada, você abrir a própria empresa, você continua recebendo o seu Bolsa Família por até dois anos. E, se acontecer alguma coisa nesse meio tempo, você for demitido, por exemplo, ou a sua empresa não der certo, no mesmo dia você está recebendo o Bolsa Família", disse.
Flávio Bolsonaro nega que acabará com Bolsa Família e diz qual é a sua proposta para o programa social:
Governo antecipa pagamentos antes do segundo turno
Enquanto a discussão sobre o futuro do programa ganhava espaço nas redes sociais, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome anunciou a antecipação do calendário de pagamentos de outubro do Bolsa Família, que já inclui o reajuste de cerca de 15%.
Os depósitos começaram nesta segunda-feira, 19, e serão concluídos até quarta-feira, 21. Nesta segunda, recebem os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) terminado em 1. Na terça-feira, 20, será a vez daqueles com final 2. Já na quarta-feira, 21, o pagamento será unificado para os demais grupos, com NIS terminado em 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0.
Normalmente, os repasses são feitos nos últimos dez dias úteis de cada mês, de acordo com o último dígito do NIS. Com a alteração, todas as famílias contempladas pelo calendário de outubro receberão o benefício antes do segundo turno, no próximo domingo, 25.
Segundo o governo federal, a antecipação também será aplicada aos pagamentos de novembro e dezembro. Nos municípios com situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecidos pelo governo, os valores serão depositados de forma unificada nesta segunda-feira, primeiro dia do calendário.
De acordo com o ministério, a unificação dos pagamentos é uma "medida preventiva para mitigar os efeitos do super El Niño sobre as famílias mais vulneráveis". A pasta não relacionou oficialmente a decisão à disputa eleitoral.
Fonte: Portal Terra
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