Chocolates Falchi foi uma tradicional marca brasileira de chocolates e doces e uma das marcas mais icônicas e pioneiras da indústria de doces no Brasil, sendo um símbolo do desenvolvimento industrial de São Paulo no início do século XX. Ela foi fundada em 1885 por três irmãos imigrantes da Itália, Panfilio, Emidio e Bernardino Falchi. A Falchi não produzia apenas chocolates; ela se destacou pela fabricação de balas, confeitos e bombons, tornando-se uma das maiores potências do setor alimentício na América Latina durante as primeiras décadas de 1900.
História A história da família Falchi no Brasil começou em 1875, quando os irmãos desembarcaram no país e estabeleceram sua primeira base comercial no Rio Grande do Sul, atuando na indústria têxtil. Posteriormente tendo uma breve passagem pelo interior de Minas Gerais, foi só em 1883 que os três irmãos decidiram se fixar definitivamente em São Paulo. Na capital paulista, eles demonstraram um notável espírito empreendedor ao diversificar suas atividades, participando ativamente da fundação da Câmara de Comércio Italiana e do Banco Ítalo-Brasileiro, além de figurarem como acionistas da Companhia Paulista de Combustíveis. Inicialmente estavam inspirados para atuarem na importação alimentos para revenda, mas logo os irmãos avistaram uma oportunidade de fabricar seus próprios produtos em solo nacional por conta da quase inexistente produção nacional de chocolates e doces. Assim, o chocolate foi escolhido como o carro-chefe dessa nova fase industrial, e a primeira sede da fábrica foi estabelecida na Rua Brigadeiro Tobias, na região da Santa Ifigênia, onde foram instaladas as máquinas para a produção. Sob uma nova estrutura e com parceria de investidores, como os irmãos Gianinni, mudando o nome para Chocolates Falchi & Giannini, o portfólio de produtos cresceu significativamente, passando a oferecer, além dos chocolates em barra, uma linha variada de bombons, confetes, caramelos embalados e gomas de mascar. Em 1890, em um movimento estratégico de expansão, os irmãos Falchi contaram com o apoio do financista Serafim Corso para adquirir uma vasta gleba de terras situada entre os bairros da Mooca e do Ipiranga. Naquela nova fronteira urbana, eles instalaram a primeira indústria da região, voltada não apenas para os doces, mas também para a moagem de açúcar, pimenta e canela, consolidando definitivamente sua importância no desenvolvimento industrial e geográfico da cidade de São Paulo. A instalação da fábrica na nova área impulsionou a criação da Vila Prudente, formada a partir de lotes vendidos pelos Falchi aos seus próprios operários. O nome do bairro foi escolhido pelos irmãos para homenagear Prudente de Moraes, então governador de São Paulo e futuro presidente do Brasil. A empresa nesse novo local, começaram a fabricar seus chocolates com cacau trazido da Bahia e Pernambuco. Em meados de 1900 os irmãos Gianinni saíram da sociedade e entraram dois primos da família Falchi: Giuseppe Falchi e Menotti Falchi. Com isso a empresa conseguiu participar da sua primeira feira internacional em Turim. Nessa fase, a qualidade dos chocolates Falchi rendeu uma medalha de ouro na feira em terras italianas. Em 1904, a Falchi passa a importar licores e na revenda de bebidas. Também incorporou um novo investidor, Fidelis Papini, mudando o nome da empresa para Chocolates Falchi & Papini. A partir de 1912, a empresa iniciou um novo ciclo de expansão, estruturando uma rede com diversos representantes que levavam seus famosos chocolates a todos os cantos do Brasil. Esse crescimento ganhou um impulso extraordinário durante a Primeira Guerra Mundial, quando o conflito na Europa interrompeu as importações de doces estrangeiros e abriu caminho para o domínio da marca no mercado interno. Presente nas principais casas comerciais do país, o sucesso da Chocolates Falchi cruzou fronteiras na década de 1920, momento em que a empresa passou a exportar e comercializar seus produtos também no Uruguai e na Argentina. Nesse período fábrica passou para a Avenida Tiradentes próxima à Estação da Luz, onde permaneceu por muitos anos. Após o falecimento de Menotti Falchi em Florença, em 1922, e o retorno de Bernardino Falchi à Itália, a composição societária da empresa passou a contar com Adriano e Dino Crespi, filhos do influente conde Rodolfo Crespi. Mesmo diante da acirrada concorrência de marcas como Lacta, Sönksen e Pan, a Chocolates Falchi preservou sua liderança de mercado em São Paulo durante as décadas de 1930 e 1940.
Últimos anos como produção independente e fim da marca. Nos anos 1950, a gestão foi conduzida por Emidio Falchi Sobrinho até sua morte em 1957, momento em que o controle acionário majoritário passou para as mãos de Hélio Falchi, filho de Giuseppe Falchi. Essa trajetória independente, no entanto, encerrou-se na década de 1960, quando os sócios aceitaram uma proposta da Lacta, que adquiriu a maior parte das ações e assumiu o controle definitivo da companhia. Anos mais tarde, a Lacta, sob a presidência de Adhemar de Barros Filho, vendeu suas ações para os empresários José Clibas de Oliveira e Silva e seu filho. Em uma tentativa de expansão, Clibas Filho, que era ligado à Sociedade Brasileira de Cacau, adquiriu novos maquinários e comprou a marca Chocolates Sönksen, centralizando a produção de ambas as empresas na zona sul de São Paulo a partir de 1975. Apesar dos esforços, a nova gestão não obteve o sucesso esperado. A forte concorrência de marcas como Nestlé, Pan, Garoto e a própria Lacta, que possuíam redes de distribuição muito mais eficientes, acabou sufocando a presença de mercado tanto da Falchi quanto da Sönksen. O fim definitivo da Chocolates Falchi ocorreu em 1983, em meio a um processo judicial conturbado movido por diversos fornecedores devido ao inadimplemento de dívidas. O encerramento das atividades foi dramático: após a Justiça de São Paulo ordenar o confisco do maquinário para a quitação dos débitos, os funcionários tentaram impedir a ação. Durante o impasse, um grande incêndio atingiu o galpão da fábrica. Na época, o acionista Peter Schone declarou ao jornal O Estado de S. Paulo que o fogo teria sido iniciado pelos próprios trabalhadores no setor de embalagens, motivados pelo medo de que o confisco das máquinas inviabilizasse o pagamento de seus salários atrasados.
Referências