Lydia Alimonda (Araraquara, 1 de junho de 1917 — 22 de janeiro de 2014) foi uma pianista, concertista e professora brasileira. Parte de uma das famílias musicais mais tradicionais do Brasil, era irmã do célebre pianista Ettore "Heitor" Alimonda e da violinista Altea Alimonda, com quem formou o renomado Duo Alimonda. Sua carreira foi marcada pela difusão da música brasileira na Europa e pela promoção da cultura austríaca no Brasil, trabalho pelo qual foi condecorada pelo governo da Áustria.

Origem e formação Lydia nasceu em Araraquara, interior de São Paulo, em uma família de imigrantes italianos. Seu pai, Paolo Alimonda, natural da cidade de Gênova, e sua mãe, Irma Boschetti, filhas de italianos. A família Alimonda estabeleceu-se no Brasil na mesma época que a família Lupo (fundadores da Lupo), com quem mantinham estreita amizade. O piano sempre foi a coisa mais importante na vida de Lydia Alimonda. Sua mãe desejava que os filhos fossem músicos: "Não sei por que, pois ela nunca foi pianista ou tocou qualquer instrumento." Iniciou seus estudos de piano aos cinco anos de idade com o professor Tescari, em sua cidade natal. Mais tarde continuou os estudos com Carminha Monteiro, que a inscreveu concurso "A Tarde da Criança", promovido pelo maestro Luigi Chiaffarelli em São Paulo. Podiam participar do concurso crianças até quatorze anos de idade. Lydia tinha doze anos. Em sua primeira participação ficou em segundo lugar. No ano seguinte, em mais uma participação, ficou em primeiro lugar. Estavam presentes nas audições do concurso o professor Agostino Cantù e a professora Guiomar Novais. Ambos queriam Lydia estudassem com eles. Porém, o professor Cantu, por ter se adiantado no pedido acabou se tornando o mestre de Lydia, que passou a fazer o percurso de Araraquara até São Paulo duas vezes ao mês para as aulas na escola do professor. Concomitantemente estudava no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde se diplomou como concertista e professora de piano. Suas irmãs Altea e Ada, também seguiam para São Paulo. Altea para estudar violino com o professor Torquato Amore. Os colegas de Lydia a chamavam de "A pupila dos olhos do professor Cantu"

O campo de margaridas Com o pai de Lydia não estando de acordo com a ida e vinda das filhas até São Paulo, sua mãe passou a plantar margaridas em um terreno dentro da propriedade da família. Com o dinheiro das flores vendidas as passagens eram compradas. Depois de um tempo as irmãs ganharam um passe como cortesia da empresa São Paulo Railway para as viagens. Diante das muitas idas e vindas para os estudos, Irma alugou uma casa em São Paulo, no bairro da Aclimação. O pai ficou em Araraquara com o filho mais velho.

Carreira artística Lydia iniciou sua carreira profissional em 1934, aos 17 anos. Com sua irmã Altea, realizava turnês pelo interior de São Paulo em troca de um pequeno cachê, organizadas pela "A Instrução Artística do Brasil", que tinha como diretora Helena Magalhães Castro. Por vezes, Lydia e Altea formavam o Duo Alimonda nessas apresentações. Em São Paulo, tocou em quartetos com Gino Alfonsi, Alexandre Schaffman, Johannes Oelsner e Calixto Corazza. Com Antonio Lauro Del Claro fez todo o ciclo das sonatas de Beethoven. Com Paulo Afonso Moura Ferreira, que estava em audição no Brasil, apresentou-se a Sonata para Dois Pianos e Percussão de Béla Bartók. O regente era Koellreutter.

Vida familiar Lydia casou-se em 1937, com Arnold Haller, que conheceu quando fazia uma apresentação intimista. Arnaldo ficou encantado quando Lydia tocou o estudos n° 3, Opus 10, de Chopin. O casal teve um filho chamado Robert e uma filha de nome Elizabeth.

Atuação cultural e ensino Além dos palcos, Lydia Alimonda teve papel fundamental na gestão cultural. Atuou como coordenadora da seção cultural do Consulado-Geral da Áustria em São Paulo, onde realizou um intenso trabalho de divulgação de compositores austríacos no Brasil. Em reconhecimento a esse esforço, foi condecorada com a Cruz de Honra de Artes e Ciências da Áustria (Österreichisches Ehrenkreuz für Wissenschaft und Kunst). Como pedagoga, lecionou piano por décadas, influenciando a formação de diversos músicos. Na década de 1970, estabeleceu-se em São José do Rio Preto, onde realizou um trabalho pioneiro de difusão da técnica pianística e formação de público no interior paulista.

Referências